Morada

Já morei em muitas casas. Em dezessete, pra ser exata.

Habitar em tantos lugares diferentes me ensinou cedo que eu precisava morar, antes de qualquer espaço, em mim.

Me recordo que em alguma dessas mudanças de casa, em meio a caixas de papelão e paredes novas de cor branco gelo, percebi que precisava de um referencial centralizador dentro de mim. Um abrigo interior seguro, íntimo, imutável. Que fosse mais robusto e sólido do que qualquer mudança externa.

Por algum tempo acreditei que me aprofundar em auto-conhecimento e em minha história de vida construiria esse abrigo, esse lar interior. Desenvolvi bastante força interior nessa jornada, é verdade. Mas ainda faltava algo.

Aqui vocês encontrarão esse algo que me faltava, essa integração, o eixo orientador que sustenta e move. O sentido último da nossa existência. Que permeia e organiza o que há dentro e em volta de mim, de nós. De uma forma implícita ou explícita isso é derramado em tudo o que escrevo e sou.

Espero que você se sinta bem-vinda e bem-vindo à esse espaço de verdade, profundidade e crescimento interior que eu chamo de Morada. Ela não é só minha, ela pode ser sua também.

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Moro também nestas palavras. Na angústia do meu peito quando me percebo distante dessa morada. Moro na quietude do meu coração quando volto pra ela e me reconheço humana, falha, pequena, aprendiz dedicada, mulher sensível e forte.

Talita Fernandes - abril de 2026.