Há beleza no luto
Há beleza na descoberta do novo lugar que alguém tem dentro da gente e da vida,
que agora já não é, mas também não deixou de ser
Há muita beleza na vida e há grande beleza na morte.
O luto é sobre sofrer com dignidade
É entender como atravessar momentos sombrios com os olhos na luz e o coração repousado na paz
É enxergar um algo maior, uma força que impulsiona, uma verdade que sustenta qualquer dor
É um convite à muitas reflexões.
É também sorrir ao perceber algumas angústias e preocupações se tornarem insignificantes
É aceitar com humildade o nosso limite, a nossa finitude
É a vida exigindo uma resposta de quem fica
e por isso mesmo um chamado à hierarquizar os bens que estamos escolhendo cultivar aqui.
É sobre integrar o amor, a saudade, a finitude, o sentido, essa vida e a eternidade
É sobre ser feliz e sorrir pro outro mesmo quando o coração ainda reluta em se doar
(não como uma falta de respeito pelo próprio tempo e sofrimento, mas como um compromisso de não se deixar se perder na dor).
É aprender a não temer o sofrimento, a morte e as aflições inevitáveis da vida
É sentir a urgência para fazer o que realmente importa
É pensar: "e quando eu morrer, quem estará lá? o que tenho feito de bom na vida de quem está à minha volta?" - e deixar essa pergunta ecoando para que dela saiam bons frutos.
É se orgulhar da própria força
É perceber mais claramente o real valor das pessoas, do amor, da generosidade, do tempo
É aprender a acender a chama da esperança no coração todos os dias
É sobre dobrar os joelhos para permanecer de pé.
É aceitar a realidade como ela é e aprender a amar essa realidade
justamente porque ela é real, e bela, e profunda, e humana.
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Há tempos escrevo sobre os inúmeros e valiosos aprendizados que o luto pela minha irmã trouxe por aqui.
Aos poucos vou compartilhando.
Às vezes em formato de prosa,
às vezes em poesia.
Como esse.
Como a vida.